terça-feira, 21 de agosto de 2012

Como estou me tornando uma pedra!!!


Não sei se vocês sabem, mas eu sofro de um grande amor platônico, sim pela minha querida faculdade, eu a amo, mas na maioria das vezes eu acho que ela não gosta muito de mim e que não está muito afim de mim, mas tudo bem, a gente supera isso na insistência...

Mas enfim, o que eu gostaria de dizer, é que, se teoricamente ao fazermos medicina nós deveríamos nos tornar pessoas mais sensíveis ao sofrimento alheio, muitas vezes eu acho que nossa faculdade faz exatamente o contrário com a gente, nos tornando verdadeiras pedras inquebráveis (o que não deixa de ser bom até certo ponto, mas precisava ser tão duro assim?).

Dia desses estava conversando com um amigo, sobre o relatório que tínhamos que entregar:

Eu: - Cara, você já fez o seu relatório?
Amigo: - Poutz, eu fiz, mas ficou incompleto, quando eu fui examinar a paciente não tinha nem o diagnóstico definido, e o seu, deu certo?
Eu: - Pior que não, fui lá um dia conversar com a paciente e ela tinha ido fazer um exame, daí fui lá outro dia e você num vai acreditar, ela melhorou e teve alta, sem nem ao menos confirmarem o diagnóstico dela, que bosta, cara!!!
Amigo: - É verdade, é foda quando acontece isso, quando o paciente tem alta...
Ficamos um tempo em silêncio até que ele pensou um pouco e disse:
Amigo: - Cara, não é por tanta não, mas você percebeu que tem uma puta inversão de valores? Nós estamos reclamando porque a paciente teve alta e foi embora!!! Teoricamente nós não deveríamos comemorar que ela ficou boa e foi embora???
Eu: - Eu sei, e é verdade, mas infelizmente para o nosso relatório e para os professores que o cobram, seria melhor que ela tivesse mal aí, e internada, mas de modo que conseguissem confirmar o diagnóstico.
Amigo: - Cara, você sabe o que seria o ideal que acontecesse com ela para que o diagnóstico seja confirmado com toda certeza, né?
Eu: - Pô, pior que é verdade, aposto que tem gente que torce pra que isso ocorra...

Pior de tudo é que é triste mas é a mais pura verdade, mas pior do que isso, é quando nós éramos obrigados a assistir um determinado número de autópsias no hospital, para não perdermos pontos em uma determinada disciplina. Chegava a ser bizarro o quanto nós éramos literalmente obrigados a “torcer” para morrer alguém todo dia só para podermos assistir as autópsias!!!

É bizarro, mas era verdade, lembro até a cara de tristeza dos meus amigos quando ligavam no hospital e descobriam que não tinha nenhuma autópsia:

“-Puta que pariu, não morreu ninguém hoje pra gente ir lá ver.... ah, então vamo jogar bola...”
Sei que é importante ser duro e forte, mas será que é para tanto??? Será que precisamos ser tão duros e insensíveis assim???  

Já dizia Che Guevara: “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás!”

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A primeira vez de uma garota...



Era um belo final de terça feira, a aula havia acabado mais cedo, ela me cutucou para que eu acordasse e me levantasse da cadeira semi-leito da sala de aula (a aula havia durado cinquenta minutos, mas eu senti como se eu tivesse dormido por uns três dias seguidos). Ela me acordou, e disse que iria embora, foi quando eu sorri e fiz um convite pra ela, ele estava meio tímida, sorriu constrangida e disse que nunca havia feito aquilo antes e que não tinha jeito para a coisa, sem contar que ela disse que tinha muito medo. Eu fiquei espantado, como alguém naquela idade ainda nunca tinha vivido tal experiência? E pior, como ela poderia achar que não teria jeito para aquilo? Eu disse que ela não deveria ter medo, afinal eu já era muito experiente naquilo e que já tinha feito isso antes com várias outras pessoas (eu já tinha feito isso até mesmo com outros meninos). Meio a contragosto ela consentiu, mas não sem antes perguntar se eu tinha proteção para ela (ela tinha certeza que eu não teria). Mas como eu sou um homem prevenido eu disse que tinha sim a proteção e que esse não seria o problema, com isso ela não teve escapatória, mas na hora H ela pensou em desistir, mas eu fui insistente e pedi para que ela confiasse em mim (ela disse que até confiava em mim, mas que não confiava no ato em si).
Como era a primeira vez dela, ela me pediu para ir bem devagar, e foi isso que eu fiz, mas mesmo eu indo bem devagar ela qualificou aquilo como uma aventura alucinante, e disse que eu não deveria ir mais rápido do que aquilo. No final, ela disse que havia gostado da aventura, que sentiu uma sensação diferente e que tinha até mesmo vontade de cantar enquanto fazíamos aquilo, e disse que poderíamos repetir  aquilo outras vezes.
Depois da primeira vez eu acho que ela perdeu todo o medo, fizemos aquilo várias outras vezes, inclusive com o tempo ela chegou a pedir que eu fosse o mais rápido que eu pudesse, tinha até algumas vezes que era ela quem se auto convidava, e obviamente que eu sempre solícito a atendia com o maior prazer.

Bom, foi assim que ela ANDOU PELA PRIMEIRA VEZ DE MOTO COMIGO!

PS: Se você pensou em alguma atividade que não seja andar de moto, é sinal de que você tem uma mente muito poluída, credo!!! 

sábado, 23 de junho de 2012

O dia em que eu quase morri


Dizem que um dos grandes prazeres do homem é ir ao estádio assistir futebol, eu concordo e sou praticante desta arte. Apesar do meu time estar em péssima fase, eu adoro ir vê-lo jogar, pois lá eu posso descontar toda a minha raiva contra o mundo, contra as notas ruins, contra a vida amorosa que anda sem sucesso, enfim, lá eu posso pular, gritar, xingar todo mundo sem peso na consciência, é uma verdadeira sessão de descarrego, e que, convenhamos, sai bem mais barato do que pagar pela minha consulta ao psiquiatra. Em uma dessas ocasiões em que fui sozinho ao estádio (já estou me sentindo um daqueles velhinhos que vão em todos os jogos, só me falta o radio AM colado ao ouvido) aconteceu o causo que irei contar hoje:
Saindo do jogo contra a Ponte Preta, o ônibus da organizada deles passa por mim e um dos animais tentou cuspir em mim... revoltado eu saí xingando os fdp de tudo quanto é nome que me veio à mente. (Sabem como é, né? eles dentro do ônibus em movimento, e eu na calçada, me senti seguro em fazer isso)...
Fui até o posto de gasolina e lá fiquei esperando minha carona, quando de repente o busão deles para do meu lado (eles foram comprar cerveja no posto), e um dos caras me reconheceu:
- Pô, você é o carinha que tava xingando a gente ali atrás né, mermão? - falou o cara enquanto botava o dedo na minha cara...
- De forma alguma, você tá louco, eu não faria isso...
- Foi você sim, mano - enquanto isso foi juntando uma rodinha de pontepretanos ao meu redor... Daí me senti obrigado a mentir, dei um tapinha no ombro do cara e disse:
- Que isso rapaz, sou de Campinas, moro em Barão Geraldo, só que eu estudo em RP, sou torcedor da Ponte igual vocês, cara...
- Dúvido, se você é torcedor da ponte porque num tava na arquibancada com a gente? Eu num te vi lá...
- É que eu fiquei com medo da torcida adversário, eu não conheço o estádio nem nada, achei mais seguro ficar com os donos da casa...
- Você tá mentindo, cara...
- Que isso, olha só (aí eu comecei a cantar o Hino da Ponte): "Estandarte desfraldado, preto e branco é sua cor, Ponte Preta vai pro Campo, pra mostrar o seu valôooor..." Daí a pouco tava todo mundo ali cantando comigo, gritando, "E dá-lhe Ponte, dá-lhe Ponte"... O cara bateu nas minhas costas e disse: "
- Beleza mano, boa sorte ae irmão, se cuida, nóis se tromba no Majestoso!!!"E eu: 
- É isso aí irmão, boa viagem ae, até o próximo jogo... (mas no fundo pensando: "Vão todos pro inferno e que essa porra desse ônibus pegue fogo e exploda no caminho de volta...")...
E foi assim que eu saí vivo do meu encontro com os torcedores da Ponte...Jamais imaginei que ter morado 1 ano em Campinas e ser fanático por futebol a ponto de saber o Hino da Ponte iria ser tão útil assim pra mim!!!
Essa história vai pra todos os outros amantes do "futebol alternativo" e que adoram ficar sabendo história, hino, uniformes, escalações de tudo quanto é time por aí...
"-Se até Pedro renegou Jesus Cristo três vezes, porque eu não posso renegar ao meu time?"
E como dizia o Velho "Deitado": "Quem tem c% tem medo!!!"



PS: Dias depois um amigo disse que eu havia renegado o meu time que eu digo que amo tanto, mas eu logo disse a ele:
E convenhamos, o Botafogo Futebol Clube apesar de ser a minha paixão e a minha religião, tá meio longes de ser jesus Cristo (Apesar de eu não ser religioso), e convenhamos mais ainda, eu estou longe de ser comparado a um apóstolo!!! uhahuahuahuahua

Mas confesso, eu fiquei com uma tremenda dor no coração ao fazer isso, mas sabe como é, o que realmente importava na hora era preservar a minha vida...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A picada de cobra alucinógena



Caros amigos, o causo que vou lhes contar hoje eu ouvi de um amigo que ouviu de outro amigo que ouviu de outro antigo amigo que ouviu de um inimigo, que provavelmente deve ter inventado toda a situação. Ou seja, não posso lhes afirmar que ele seja verdadeiro, nem posso lhes dizer onde ocorreu, mas conhecendo bem alguns hospitais que temos neste Brasilzão afora, eu acredito que pode ser verdade. Enfim, chega de enrolação e vamos ao que interessa, ou não:
O causo que vou lhes contar aconteceu em um hospital qualquer, era dia primeiro de abril de mil novecentos e bolinhas. Os ambulatórios estavam lotados, era paciente enfartando, motoqueiro acidentado, criança que engoliu uma moeda achando que ela cofrinho, funcionário público querendo atestado para faltar ao trabalho, grávida de sete meses achando que já ia parir, enfim, tudo aquilo que estamos acostumados a ver no hospital, mas naquele dia, havia algo em especial, havia duas senhoras, cada uma com seus cinquenta e poucos anos, mas que coincidentemente possuíam o mesmo nome. Para manter o sigilo médico (mentira, na verdade eu esqueci o nome das senhoras), vamos dar a elas o nome fictício de Maria das Graças, que é um nome bastante comum! As duas foram levadas ao hospital por motivos bem diferentes, uma delas havia sido picada por uma cobra enquanto passeava no sítio do seu tio avô, enquanto que a outra, descrente com a vida havia tentado se matar tomando uma superdose de medicamentos (ela havia acabado com o estoque de vitamina C efervescente de sua casa, e até tomou o vidrinho de chocolates MM’s de seu sobrinho achando que eram remédios também). Apesar do susto inicial, as duas senhoras já estavam bem, e passaram o dia na enfermaria sob observação clínica, e ao final do mesmo obtiveram a alta hospitalar. A Dona Maria da Cobra (vamos chama-la assim para diferencia-la da outra Dona Maria) deveria receber alta definitiva, pois a picada que ela levou não havia sido nada grave, e ela poderia voltar para casa toda alegre e feliz, pronta para a próxima.Já a Dona Maria Suicida, apesar de ter falhado em sua tentativa de esvair-se deste mundo terreno, consistia em um caso de certo risco, pois ela poderia ter uma nova crise, e por isso, os médicos resolveram acompanhar o caso dela, e determinaram que ela teria alta hospitalar porém deveria retornar três semanas depois no ambulatório da psiquiatria.O causo poderia terminar aqui, mas se ele terminasse aqui não seria um causo, acontece que no meio de toda a correria que existe dentro de um hospital (as duas foram atendidas em uma segunda feira, e todos nós sabemos que segunda feira é o dia nacional de ir ao médico, afinal de contas, todo mundo aproveita do final de semana e aguenta ao máximo a sua doença, mas na hora de voltar para a rotina e ter que ir ao trabalho, a doença sempre fica pior e aí todos vão ao médico na segunda feira) as pastas das duas pacientes foram trocadas, e com isso a conduta a ser tomada para elas foi trocada também, ou seja: a Dona Maria Suicida recebeu alta definitiva, e a Dona Maria da Cobra teve alta, mas com um retorno agendado com o psiquiatra em três semanas.Acredito que neste instante, os amigos estejam preocupados com a saúde da Dona Maria Suicida, afinal, pobrezinha, sem tratamento psicológico ela poderia se matar! Pois bem, não precisem se preocupar, ela não se matou, ela morreu atropelada por uma carroça alguns meses depois (coisa triste, mas que acontece no interior...).Mas enfim, o causo maior aconteceu com a Dona Maria da Cobra quando ela voltou para o seu retorno. A paciente nem sabia que o médico que lhe atenderia era um psiquiatra, segue a conversa entre os dois:
- Dona Maria, como a senhora está? Tem sentido mais alguma coisa?
– Disse o médico, que se encontrava muito solícito naquele dia.
- Ah, eu estou ótima Doutor, não tenho sentido mais nada.
- Que bom, e a senhora não teve mais nenhum pensamento de morte? – Perguntou inocentemente o médico, achando que a sua paciente era a que havia tentado se matar algumas semanas antes.
- Pensamento de morte? Como assim? Eu nunca tive isso doutor. – Perguntou de maneira perplexa a nossa paciente.
- Ué Dona Maria, aqui consta que há algumas semanas a senhora deu entrada em nosso hospital porque a senhora queria se matar. – Explicou o Doutor.
- Não doutor, eu estive aqui porque eu havia sido picada por uma cobra.O experiente doutor sabia que quando se trata de um paciente da psiquiatria nem sempre podemos acreditar em tudo o que o paciente diz, afinal, não é a toa que ele está precisando de um psiquiatra. E achando que a paciente estava no auge de sua loucura, resolveu entrar na brincadeira:
- Ah sei, a senhora foi picada por uma cobra então? E como era essa cobra?
- Uai, era uma cobra, como todas as outras, grande, comprida, e com uma mordida que dói pra dedéu. – Tentou explicar a senhora.
- Ah sim, e essa cobra era colorida? Ela piscava para a senhora? Era brilhante? Ela conversava com a senhora? Ela dizia alguma coisa? – perguntou o médico tentando explorar até onde iria a “loucura” da paciente.
- O senhor tá brincando com a minha cara? Tá achando que eu sou idiota, que eu estou aqui perdendo meu tempo, eu exijo respeito seu desgraçado. – Foi se revoltando a mulher, que já se levantava para agredir o médico.Neste instante entraram alguns enfermeiros no consultório, achando que a mulher estava surtando e logo foram segurando a mulher que se revoltava ainda mais, dizendo não ser louca, o que comprovava ainda mais a ideia de que ela era de fato louca. Após muitas brigas e muitas mães ofendidas, os enfermeiros conseguiram colocar a paciente em uma camisa de força e a levaram para o quarto da psiquiatria, onde ela recebeu um calmante e dormiu profundamente.Meus caros leitores, este é o causo que eu queria lhes contar. Gostaria de lembrá-los que se por um lado nunca devemos confiar totalmente nas informações dadas pelos pacientes, não devemos nunca duvidar por completo do que eles dizem.Moral da história:
1)      Não tente se matar com um vidro de MM’s;
2)      Se você tem um nome absurdamente estranho, não brigue com seus pais, isso pode evitar que você seja confundido com alguém homônimo e evitará que você tenha problemas;
3)      Cuidado com picadas de cobras, além de venenosas elas podem ser alucinógenas.